A new welcoming culture

A nossa filosofia

Acreditamos que os refugiados podem ter uma melhor integração na sociedade portuguesa, que não implique viver em casas sobrelotadas, em más condições e/ou isolados da sociedade.

Achamos que podemos recebê-los melhor e por isso perguntamos, porque é que os refugiados e requerentes de asilo não vivem em casas partilhadas, facilitando a sua integração em Portugal?

Encontrámos uma maneira de tornar isso possível.

Com quem trabalhamos?

Trabalhamos com requerentes de asilo e refugiados, independentemente da forma com o chegaram a Portugal (quer tenha sido através do programa de recolocação, reinstalação ou através de chegadas espontâneas).

Enquanto aguardam pela atribuição do estatuto de refugiado, os requerentes de asilo podem ser hospedados pelo Conselho Português para os Refugiados (CPR), bem como outras instituições como o Serviço Jesuíta aos Refugiados (SJR), ou ainda outras desde que integradas na Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR). Infelizmente o processo é longo e lento. Seja qual for o país de origem e a duração da viagem, todas estas pessoas passaram por experiências dramáticas e por isso são muitas as que sofrem de traumas, muitas chegam sem nada, e todas chegam com muita vulnerabilidade. Esta fragilidade aumenta devido à incerteza e à espera, devido às condições de acolhimento (que podem encontrar-se sobrelotados ou sem condições ao nível das suas infra-estruturas), ao desconhecimento sobre o país, ao isolamento.

Apesar do esforço da sociedade civil e das respostas que foram criadas a nível nacional para o acolhimento de refugiados e requerentes de asilo, o projeto Refugees Welcome surgiu como resposta  a algumas lacunas. O atual sistema não facilita a inclusão social, uma vez que os apoios criados ficam à mercê de um longo período de espera, ou simplesmente se revelam insuficientes. A questão da habitação é particularmente urgente, sobretudo em grandes centros urbanos devido ao desadequado apoio financeiro que estas pessoas recebem para o efeito, a que se soma alguma discriminação por parte dos proprietários de casas, ou ainda o desconhecimento das cidades em que estes refugiados e requerentes de asilo se encontram.

Assim, o nosso objectivo é promover uma cultura de boas-vindas, que passa por apoiar (sobretudo) na procura de uma nova casa, sobretudo  aqueles em que se encontram em situações mais vulneráveis. De forma pontual, participamos também em conferências e seminários, de forma a divulgar o nosso trabalho e a sensibilizar para o tema.

O nosso método

O nosso trabalho começa neste website- todos que queiram abrir as portas de sua casa a um refugiado podem registar-se – e continua graças ao trabalho de uma equipa de profissionais qualificados que dão o seu melhor para encontrar a melhor combinação entre proprietários/as e refugiados/as com base nos seus perfis.

Nós temos trabalhado com um método rigoroso e pontual que é constantemente melhorado graças a todos os agentes envolvidos: famílias, refugiados, voluntários, associações parceiras com quem trabalhamos a nível nacional.

O processo baseia-se em várias etapas que vão desde a inscrição na plataforma até ao término da partilha: todo o processo é acompanhado, monitorado e facilitado pelas nossas equipas.

Os passos

1. Registo:

Para todas as pessoas (famílias, estudantes, idosos, solteiros,etc) que tenham um quarto disponível e queiram acolher um refugiado.

2. Entrevista:

Após o registo, um elemento da nossa equipa entra em contacto com quem fez o registo para marcar uma reunião para perceber as suas expectativas, a razão de querer acolher um refugiado e podermos explicar e tirar dúvidas sobre o processo de acolhimento.

3. Visita à casa:

Após a reunião, é feita uma visita à casa da pessoa que quer acolher o refugiado, de forma a conhecê-la melhor e verificar o ambiente que irá acolher um refugiado.

4. Matching:

Após os passos anteriores daremos início ao processo de matching. O matching é feito pelas nossas equipas através de um estudo das características do refugiado e do proprietário obtidas nas entrevistas.

Os fatores estimados variam de aspectos individuais e pessoais, às necessidades diárias.

5. Encontro entre refugiado e proprietário:

Quando é feito um potencial matching, é marcado um encontro presencial entre o refugiado e o proprietário juntamente com um elemento da nossa equipa, de forma a que ambos se ponham conhecer e decidir se querem viver juntos. Este processo é fundamental de forma a criar-se uma base de confiança.

6. Início da convivência:

Se o encontro anterior for um sucesso inicia-se o processo de partilha de casa. O proprietário e o refugiado assinam um contrato informal de hospitalidade para uma melhor convivência e definição de todos os aspectos.

7. Projecto de integração:

Após o início do processo de partilha de casa, é iniciado o projecto de integração através do programa de mentoria.

8. Crowdfunding

O Refugees Welcome não financia as rendas e despesas para o acolhimento dos refugiados. Contudo, o proprietário pode lançar uma campanha de crowdfunding para apoiar o acolhimento, através da sua rede de amigos, família, colegas de trabalho, etc de forma a conseguir obter pequenas doações.

9. Fim da convivência:

Após cinco meses de estadia, se o refugiado ainda não estiver independente e o proprietário não poder continuar a hospedá-lo, nós iremos procurar outra pessoa para o acolhimento.

Questões Frequentes

Depois de registar a minha casa, quanto tempo devo esperar até acolher o novo colega de casa?

De acordo com a experiência dos nossos parceiros na Alemanha, a preparação a nível de comunicação leva cerca de 2 a 4 semanas para que todas as questões de maior importância, que possam surgir durante esta fase, sejam clarificadas.

Já existem apartamentos onde os refugiados estejam alojados?

Em dezembro de 2014, uma refugiada foi hospedada no apartamento onde vivem o Jonas e a Mareike, dois dos fundadores do projeto na Alemanha. Até hoje têm tido muitos registos de apartamentos e pessoas para partilhar casas e que deram continuidade. Podem encontrar as últimas atualizações aqui.

Que tipo de apartamentos ou casas procuram?

Ficamos gratos por qualquer tipo de hospedagem ,seja com família, casais, idosos, jovens, particulares, etc.

Por quanto tempo é que o refugiado vai/pode viver connosco?

Isto, acima de tudo depende da sua vontade. Para evitar que um refugiado ou requerente de asilo, fique num estado de incerteza e para que possa traçar objetivos e atingir metas, damos prioridade a pessoas com ofertas de alojamento por um período minimo de 3 meses . Se só tiver disponibilidade para períodos mais curtos, contacte-nos e iremos avaliar a situação.

Posso registar-me se só tenho uma sala para oferecer como alojamento?

Agradecemos que queira participar nesta iniciativa, mas o refugiado, como qualquer outro cidadão, tem direito a uma habitação condigna e a dormir num quarto. Por esta razão, só aceitaremos casas para partilha que tenham condições adequadas. Se não tem um quarto que possa disponibilizar e quiser contribuir para este projeto, pode também doar aqui.

Teremos algum custo?

Os refugiados ou requerentes de asilo conseguem autossustentar-se financeiramente, pois recebem um subsídio pelas entidades responsáveis.

Pode o projeto “Refugees Welcome Portugal” ajudar-nos financeiramente com a renda se esta for mais alta do que o subsídio recebido pelo refugiado?

Nós iremos ajudar no que for preciso para encontrar uma solução viável de angariação de fundos para a renda. Nós não podemos financiar a renda por nossa conta, mas iremos mobilizar-nos de forma a colocá-lo em contacto com pessoas que estejam interessadas em apoiá-lo no pagamento dos custos de uma casa partilhada. Podem encontrar mais informações aqui.

O que poderá acontecer se ambos não se adaptarem?

Neste caso acontecerá o mesmo como num apartamento partilhado: juntos terão que encontrar uma solução, se necessário nós ajudaremos. Um mentor irá acompanhar cada processo de realojamento.

Se não resultar, há a possibilidade de cancelar o alojamento.

O que é um requerente de asilo? Qual a diferença em relação a um refugiado?

Requerente de asilo, é um estrangeiro ou apátrida que apresentou um pedido de asilo ou de proteção subsidiária que ainda não foi objeto de decisão definitiva. (Lei nº27/2008 de 30 de junho)

Um refugiado, de acordo com a Convenção de Genebra de 1951, é uma pessoa que receando com razão ser perseguida em virtude da sua raça, religião, nacionalidade, filiação em certo grupo social ou das suas opiniões políticas, se encontre fora do país de que tem a nacionalidade e não possa ou, em virtude daquele receio, não queira pedir a proteção daquele país (…)“.

Como irão as coisas desenvolver-se para os refugiados?

Isto depende de muitos fatores. O melhor cenário é a pessoa que acolhe o refugiado, prolongar a sua estadia de forma a que este se sinta integrado. Também, seria muito bom se o refugiado conseguisse praticar o seu português, pois iria aumentar as suas opções de acomodação e trabalho. Ao partilhar a sua casa com um refugiado estará a contribuir significativamente para ir ao encontro/superar as expetativas da sua receção em Portugal.