Estigma Menstrual

O que é?

O estigma menstrual é um termo abrangente que se refere à discriminação enfrentada por pessoas que menstruam dado que estas são muitas vezes vistas como impuras e sujas durante o período. Este fenómeno é enraizado em tabus que envolvem a menstruação, consequência da falta de educação sexual. Em algumas culturas, as pessoas que menstruam são forçadas a não sair das suas casas durante o período em que menstruam, sendo excluídas de espaços públicos sob a crença de que podem trazer má sorte ou prejudicar os outros. No Nepal e em algumas partes da Índia, existe uma prática chamada “Chhaupadi”, em que as mulheres são consideradas impuras durante a menstruação e são isoladas em abrigos longe de casa devido à crença de que podem trazer azar ou problemas de saúde às suas famílias. Em algumas comunidades na Indonésia, as mulheres são isoladas em pequenas cabanas chamadas “gubug” durante a menstruação de modo a serem separadas do convívio social e a protegerem os homens de serem sujeitos a impurezas. 

O estigma menstrual reflete-se até mesmo na educação, um direito fundamental que é frequentemente negado, uma vez que muitas mulheres abandonam a escola devido à falta de compreensão e apoio em relação à sua menstruação. Segundo a UNESCO, 131 milhões de meninas em todo o mundo estão fora da escola, e os períodos menstruais desempenham um papel significativo neste cenário. 

Além dos desafios educacionais, as pessoas que menstruam muitas vezes enfrentam vergonha e desconforto ao abordar este tema, mesmo entre si e na ausência de homens que possam julgá-las. No entanto, o problema não se limita à esfera social e cultural; há também barreiras económicas substanciais. Em alguns países, como em Malawi, os custos dos produtos menstruais, como pensos higiénicos, são exorbitantes, equivalendo a um dia inteiro de salário para muitas mulheres. No Quénia, a realidade é igualmente impactante, com dois terços da população incapazes de arcar com os custos destes produtos essenciais.

 

Como podemos solucionar este problema?

A solução reside na educação aberta e informada sobre o ciclo menstrual. A normalização deste evento natural é crucial para quebrar tabus associadas. É urgente garantir acesso a instalações sanitárias adequadas e produtos menstruais, uma necessidade vital para adolescentes nas escolas. É crucial destacar a disparidade global no acesso a produtos menstruais. Enquanto supermercados europeus oferecem uma abundância de produtos menstruais, muitas regiões enfrentam escassez e inacessibilidade, agravando ainda mais a desigualdade de género. Além disso, é fundamental proporcionar acesso a profissionais de saúde especializados, como ginecologistas, reconhecendo que o ciclo menstrual varia de pessoa para pessoa. Infelizmente, em sociedades que evitam discutir abertamente o tema da menstruação, a busca de assistência médica é muitas vezes negligenciada, impactando negativamente o bem-estar dessas pessoas. Esta necessidade básica deve ser tratada como parte integrante dos direitos humanos. A UNFPA criou uma iniciativa em Malawi de distribuição gratuita de copos menstruais com uma vida útil de 10 anos, beneficiando estudantes de zonas rurais com dificuldades em adquirir pensos higiénicos. O projeto oferece uma solução prática a nível educacional pois encoraja mulheres a conhecerem os seus corpos e desmonta tabus em torno da menstruação.

Resumidamente, abordar o estigma menstrual exige uma abordagem abrangente, envolvendo tanto mudanças culturais, como medidas económicas e educacionais. O compromisso global para eliminar este estigma é crucial para promover a igualdade de género e garantir que todas as pessoas, independentemente do género, tenham acesso digno e igualitário aos recursos necessários para gerir sua saúde menstrual.

 

Fontes: 

Chhaupadi and Menstruation Taboos.” ActionAid UK. Accessed January 24, 2024. https://www.actionaid.org.uk/our-work/period-poverty/chhaupadi-and-menstruation-taboos#:~:text=Chhaupadi%20is%20an%20ancient%20tradition,bad%20luck%2C%20or%20ill%20health
The Menstrual Hut and the Witch’s Lair in Two Eastern Indonesian Societies. https://doi.org/10.2307/4153011
Global Citizen. “Menstrual Hygiene Day: Breaking the Silence on Menstrual Health Education.” Global Citizen. https://www.globalcitizen.org/en/content/menstrual-hygiene-day-education/
“For Malawi Students, Menstrual Cups Offer Cost-Saving Alternative.” United Nations Population Fund. Accessed January 24, 2024. https://www.unfpa.org/news/malawi-students-menstrual-cups-offer-cost-saving-alternative.

Texto escrito pela voluntária Elisa Mascarenhas.
O meu nome é Elisa Mascarenhas, tenho 20 anos e sou portuguesa. Estudo direito global na Tilburg University, na Holanda, com o objetivo de futuramente trabalhar na área de Direitos Humanos, concentrando-me em Direito Humanitário e crimes de guerra. O meu interesse por direitos humanos foi despertado durante o meu período de estudos no United World College ofthe Adriatic (UWC Adriatic), onde criei grande cumplicidade com pessoas de diversas nacionalidades, e através da convivência com amigos refugiados e migrantes tomei consciência da necessidade premente de ação e dedicação no âmbito dos Direitos Humanos.

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